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GASOLINE MEDIA - HARLEY DAVIDSON V-TWIN 20F DE 1920 ABANDONADA



Em uma conversa de mesa de boteco com alguns amigos e companheiros de estrada, saiu um comentário de uma moto antiga abandonada em um galpão do tio de um amigo, e que provavelmente era uma Harley Davidson. 

A princípio pensei ser uma Jawa, ou uma Zundapp que facilmente seria confundida com uma Harley antiga por quem não conhece. E se realmente fosse uma Harley, imaginei que no máximo seria uma Evo, pensando longe uma ShovelHead ou até mesmo uma FlatHead que é mais "comum" de se encontrar.

Bom, mais que depressa entrei em contato com nosso camarada e marquei uma visita no galpão onde jazia a tal relíquia.

Cheguei no local ainda com a imagem de uma moto mais "Comum" de se ver, e até brinquei duvidando do que me faria deitar no chão de um galpão para tentar um bom ângulo para fotografar.
A hora que vi a tal moto, literalmente deixada às traças no canto de um galpão, juro que me ardeu o peito e me encheu os olhos de lágrimas!!! (rsrs)


O que para eles era uma mera "Harley Antiga", era nada mais nada menos que uma V-Twin modelo 20F fabricada em 1920 com todas as peças originais!!!
Este modelo foi uma das primeiras Harleys comercializada aqui no Brasil, que para seus 95 anos de história coberta de teias de aranha e muita poeira, estava em bom estado de conservação!!!

Limpamos a poeira que cobria o logo da Harley Davidson sobre o tanque e vimos que a própria poeira havia conservado a pintura, que logicamente havia sofrido bastante com o abandono, mas nitidamente se via letra por letra do logo.
Mais que depressa arrumamos mais uns dois para ajudar e com muito custo levamos a "Nona" para o meio do salão para que eu pudesse ter melhores ângulos das fotos, e rapaz...deu a impressão que as motos de hoje são feitas de isopor.

Para completar a nostalgia, no bagageiro havia um capacete da primeira guerra mundial e uma boina que não soube identificar a insígnia.



Entrei em contato com alguns amigos colecionadores para confirmar o ano e modelo da moto, e  pela numeração do motor realmente se tratava de um modelo F fabricado em 1920.
Todas as peças estavam na moto, algumas soltas, amarradas com arames no quadro da moto. A única coisa que estranhei foi o fato dela estar com a bateria de uma Indian no lugar da original, o restante eram peças genuínas.

Vários amigos já fizeram propostas bastante decentes ao proprietário, mas a moto não está a venda e está praticamente inacessível para o publico, sendo que tivemos que usar de muuuita insistência para conseguir fazer as fotos. O que é uma pena para quem que, assim como nós, são fascinados não só pelas motos, mas também pelas suas histórias!


Os mais entendidos me corrijam caso estiver errado, mas pelo que andei pesquisando a Harley Davidson equipou esta beleza com o primeiro motor em "V" de 45° da marca, um V-Twin com Potência de 8,68hp e 989cc (84x 89mm) e cambio de 3 velocidades, que chegava aos 105 KM/h. 
Na época este motor revolucionou a história da marca, dando uma margem à frente das concorrentes Indian e Excelsior tanto no mercado civil, como militar.

E tem mais, a "Nona" abandonada tinha seu Sidecar original que infelizmente foi "PERDIDOOOOO!!!"...mas já combinamos uma força tarefa para tentar encontrá-lo, e caso esse milagre aconteça não hesitaremos em compartilhar as fotos com vocês!!!

Bom, vou parar de bla bla bla... deixar vocês apreciarem as fotos...

Nas plataformas dianteiras, a sola de borracha bastante gasta está escrito em alto relevo entre a poeira e teias de aranha "João Gual Único Representante para o Sul do Brasil". Baseado nisso pesquisamos sobre e encontramos uma pequena nota da Gazeta Info com os seguintes dizeres: 


- Em 1.925, ”João Gual- o único representante do Sul  do Brasil das Motocycletas Harley Davidson- anunciava no Estadão, que ele havia acabado de receber a segunda remessa com preços reduzidos. Casa Harley, na Praça da República, 16. Endereço telegraphico: Gual.” -




 






 


   



 















E para finalizar montamos um vídeo pegando alguns ângulos, confira...



Texto: Jamil Eduardo 
Fotos: Jamil Eduardo
Edição: Jamil Eduardo/Marco Orlando