PÉ NA TÁBUA (TIRA TEIMA) 2016 - LOUCO FOI POUCO!!!


















Nas redes sociais toda a galera aficionada pelo motociclismo estava a degustar do sucesso que foi o Rodeo (evento organizado pelo pessoal da Lucky Friends que infelizmente não pude participar), enquanto eu me recuperava de uma semana bastante corrida de um novo projeto que estava rolando onde trabalho.

Vários compartilhamentos das fotos e vídeos das Harleys e Hot Rods levantando poeira e roncando alto no circuito oval de terra, foram bem claros de que eu havia perdido um evento bem bacana.

Dentre a euforia pós Rodeo, começou a aparecer nos grupos de motos antigas que faço parte, um folder muito bem diagramado com a imagem do Vinicius Caires em sua Jawa anunciando que a temporada PNT-TT 2016 estava às portas. Perder o Rodeo e deixar passar outro evento desses seria um ano inteiro de remorso...Imperdoável!

Aquele folder do Vinícius me trouxe a memória de alguma filmagem que fiz em um dos eventos, e resolvi abrir meu note e começar a fuçar no material das edições anteriores do PNT.

Me deparei com várias fotos e vídeos legais do evento e tive a ideia de ajudar na divulgação fazendo um vídeo com imagens dos dois últimos PNT-TT's.

Passei uma mensagem para o Thiago Songa (Organizador do evento), que sugeriu aproveitar para anunciar a grande novidade do evento:
A Categoria Batom!!! 

Isso mesmo, acompanhar e torcer para os maridos e namorados ficou no passado! Nesta temporada, contagiadas pelo grande entusiasmo que paira sobre a Katia Zoppello e sua Indian Scout 1942, as meninas do PNT prepararam suas motocicletas prometendo deixar os marmanjos comendo poeira!!!

Confira o vídeo de chamada para a temporada PNT-TT 2016...



Faltando 6 dias para o evento, o Jairo Portilho de São Paulo compartilhou um vídeo trabalhando em sua oficina tarde da noite para conseguir terminar a tempo dois projetos de cair o queixo, uma Honda 750cc e uma Honda CG 125 tributos às Hondas CR, eu realmente torci para que ele conseguisse!!!


Na ultima semana que precedeu o PNT, diariamente um mosaico com as fotos das ultimas temporadas anunciava quantos dias faltavam para o evento, alfinetando a ansiedade de quem estava aguardando o tão esperado final de semana.

(Foto de um post no Face)
A galera do Motos do Porão fizeram bonito preparando uma clássica Harley Davidson Flathead 750cc de 1946 para a Nancy do Prado representar a família na categoria Batom.

A semana passou bem rápido, e finalmente chegou a tão esperada Sexta-Feira. O bom ânimo da nação PNT estava estampado nas fotos das redes sociais, com os planejamentos para ir ao evento, e alguns já seguindo viagem para Barra Bonita. Foi bonito de se ver!


O pessoal dos Lobos Moto Clube honraram o lema de que "moto foi feita para rodar", e fizeram jus aos adesivos com o hashtag #essavemrodando estampados nas suas motos.

Era madrugada de Sexta Feira e lá estavam eles, com suas clássicas Harley Davidson saindo de São Paulo rumo Barra Bonita, sem dó nem piedade das vovózonas, que aguentaram firme até o evento.

Fizemos uma matéria exclusiva do rolê desses caras, vale a pena ver!!!

O Rodrigo Aragão mais uma vez não mediu esforços e levou sua belíssima coleção de motos do Rio de Janeiro até Barra Bonita para participar do evento. O Carioca compartilhou no seu perfil do Facebook algumas fotos da viagem com a carroceria da sua caminhonete e mais uma carretinha repleta de motos.

Todos se movimentando em prol de um mesmo objetivo, era a nação PNT se preparando para acelerar forte e curtir intensamente o mais louco final de semana do ano, matando a saudade do som dos motores, do cheiro de gasolina e óleo dois tempos, e a inconfundível e única narração do nosso grande locutor Geléa!!!
Caminhonete e carretinha repletas de motos, seguindo viagem do Rio até Barra Bonita (Foto postada pelo Rodrigo Aragão no Facebook)




Já era tarde da noite de Sexta-Feira, e como eu também tinha que me preparar para o evento sai do Facebook, limpei a memória das câmeras, coloquei as baterias para carregar, fechei o notebook, separei uma muda de roupas na mochila e fui contar uns carneirinhos para tentar dormir... o sábado prometia!!!

Pulei cedo no outro dia, e a primeira coisa que fiz foi abrir a janela e ver como estava o tempo, e para a nossa alegria, fomos grandemente abençoados com um belo dia ensolarado, e um céu de um intenso azul turquesa sem ao menos uma única nuvem que insinuasse o menor indício de chuva.

Tomei um belo café, juntei as tralhas na mochila, dei um beijo de despedida na patroa, separei minha playlist favorita, botei o fone de ouvido, montei na moto e toquei para Barra Bonita!

Dessa vez resolvi ir pelo caminho de Torrinhas, pois um pessoal havia me dito que a estrada era muito bonita. Realmente a paisagem era cinematográfica, mas se soubesse das condições da pavimentação teria feito a rota por Jaú sem pensar duas vezes.

No caminho inevitavelmente eu atropelei um passarinho e entortei a roda da minha moto em um buraco que pegava as duas vias da pista, sem opções de escapar de lado algum.

Cheguei no evento um pouco revoltado com a situação e encostei a moto ao lado do pavilhão de exposição do evento. Ao tirar os fones de ouvido e ouvir a animadíssima voz do locutor Geléa anunciando que as meninas da categoria Batom estavam esquentando os motores na pista, meu clima mudou completamente. Aquilo já fez valer os imprevistos da viagem. 

O clima ali era de agitação total, as ruas ao redor do pavilhão estavam repletas e a galera chegando em peso, e procurando lugar para estacionar.

Barra Bonita amanheceu com uma novidade naquele sábado, via-se que as famílias tiraram o final de semana para apreciar o evento, e lotar a memória de suas câmeras. 

Era a "Máquina PNT" funcionando a todo vapor!!!

Entrei no pavilhão e já dei de cara com o mineiro Vinícius Caires montando sua raríssima motocicleta francesa, uma Alcyon 240cc de 1908 que participou apenas da exposição por não estar pronta ainda, mas promete disputar o pódio no próximo PNT!!!



Cada pedaço do espaço destinado a manutenção das motocicletas estava sendo muito bem aproveitado no amontoado de motos, motores, mecânicos, ferramentas e galões de gasolina na oficina improvisada do evento.

Experiências, ideias, técnicas, soluções e ferramentas eram regadas ao cheiro de gasolina, e compartilhadas constantemente aos gritos por causa do barulho dos motores que reverberava nas paredes do pavilhão. E o improviso de quem já não tem mais peças de reposição de uma moto que saiu de linha há tempos fazia da dificuldade mera diversão.






E por falar em improviso, no meio da agitação da oficina, vi um garoto por nome de Túlio entretido com um ferro de solda derretendo um pedaço de plástico. E eu, curioso com a cena fui perguntar o que ele estava aprontando...

- O acelerador da minha moto quebrou, estou derretendo o plástico pra soldar a peça de novo...



E pelo jeito deu certo, logo depois vi ele fazendo barulho com sua 2 tempos em uma das curvas do circuito. Acelerando forte, feito doido!!!



O pavilhão do evento estava bastante lotado com a exposição das motos, repleto de raridades das mais diversas marcas, modelos, estilos e histórias...muitas histórias!!!

Cada expositor carregava consigo não só o orgulho de estar participando do evento, mas de estar expondo o "seu" pedaço de história ali.

Histórias de motos que fizeram parte de táticas e batalhas de guerra, de gerações e culturas que movimentaram décadas e sobrevivem até hoje, de competições acirradas, restaurações praticamente impossíveis e garimpos lucrativos. Muitas e muitas histórias estavam sendo contadas a todo momento para quem tinha interesse, era só parar um pouco para ouvir as conversas que rolavam no pavilhão...












Na ala das inglesas, duas clássicas tiravam suspiros de quem passava por elas.

Uma delas era a impecável Triumph Horismans TT 500cc de 1927, com notáveis escapamentos cromados no estilo "Rabo de Peixe" acompanhando as linhas do quadro, mangueiras dos fluídos em metal, suspensão springer na dianteira e uma alavanca de câmbio lateral com o acabamento em madeira.

Muito cromo e detalhes que davam personalidade única para a motocicleta, que para o seu ano de fabricação possui uma mecânica e estética bastante curiosa e evoluída.











A outra, era nada mais nada menos que uma raríssima e cobiçada HRD Vincent 1000cc Black Shadow de 1952, que brilhava majestosamente em seu pedestal com seu admirável motorzão bi-cilíndrico em V.

Esta moto cravou profundamente sua fama na década de ouro das Café Racer's, seu evoluído desempenho e tecnologia são admirados até os dias de hoje, podendo facilmente atingir os 200km/h ou mais com pequenas modificações.

Para quem esteve presente e pode observar, esta moto tem uma mecânica extremamente simples e prática, sendo projetada nos mínimos detalhes para se adaptar ao gosto do motociclista. Exemplo disso são as pedaleiras ajustáveis e a configuração da relação, onde em cada lado da roda traseira existe uma coroa com configurações diferentes de dentes, e dependendo da necessidade era só tirar a roda traseira (que não precisa de ferramentas para isso) e inverter para usar a coroa ideal para a ocasião.









Neste ano além do patrocínio oficial da Baterias Cral e Motul, o evento contou com uma das marcas veteranas do motociclismo americano, a Indian.

A ressurgente marca levou para expor no evento uma Chief Vintage, e para a alegria de todos... uma Scout para test ride no circuito.

Sim...a galera teve a oportunidade de rodar de Indian no circuito de barra bonita!!!

E logicamente eu não pude perder esta oportunidade...







Dentro do pavilhão onde rolava a exposição, bem no meio do primeiro piso inferior estava montado sobre um tapete vermelho o stand da tradicional pele vermelha americana, com uma Tepee (famosa tenda dos índios norte americanos) no centro. Sete raras e impecáveis Indians repousavam imponentemente rodeadas com uma decoração temática.

Um paraquedas verde que descia do teto do pavilhão sobre o stand indígena contava a história de uma Indian Papoose, uma pequena e prática motocicleta de 98cc que era jogada dos aviões para suprir as tropas de combate durante a Segunda Guerra Mundial.

O modelo exposto representava uma das 100 unidades entregues ao exercito Americano, coisa linda de se ver!!!











Dentre as Indians e seus para-lamas envolventes, a atenção de todos foi direcionada para a maravilhosa perola vermelha de Springfield, uma belíssima Indian Board Track Racer de 1907 que disputou corridas nos famosos circuitos ovais da época. A mais antiga, e uma das mais impecáveis de todas as motos do evento!








Espalhadas pelo salão do segundo bloco do pavilhão, repousavam as Guzzi, Ducati, Honda, Mondial, NSU, BSA, Norton, Gilera, Triumph, Jawa entre outras. Dava a impressão de estar diante de uma concessionária de motos zero quilômetro de décadas passadas.

A Maioria delas não tinha marcas, detalhes de uso ou desgastes. Eram novas!!!

Perdi horas, ou melhor... ganhei horas apreciando os detalhes, a engenharia e a história de cada moto ali exposta.




















O ultimo piso do pavilhão foi dividido ao meio. A parte do fundo foi reservada para o pessoal que veio de longe acampar, e a outra parte para a feira de antiguidades, barraquinhas de peças sobressalentes, quadros, enfeites, roupas, e até mesmo uma Kombi adaptada para servir um chopp gelado para refrescar os expectadores.

Colecionadores se divertiam garimpando a farta disposição de peças sobressalentes, comprando e trocando partes que já não existem no mercado há muitos anos.












Como no sábado, o circuito foi usado apenas para o treino e preparação para as provas do domingo, aproveitei para direcionar as câmeras para a exposição, o que levou o dia todo!

Já era final da tarde, e eu mal havia saído do pavilhão quando vi o Jairo Portilho (aquele mesmo que gravou o vídeo com cara de sono tentando terminar as motos para o evento) descendo para a pista. Peguei a câmera e fui na cola dele!!!

Lá estava ele no meio do circuito pousando para as fotos, todo orgulhoso e satisfeito ao lado de sua criação.

O projeto foi audacioso e o prazo bastante curto, mas o sucesso das noites mal dormidas foi incontestável!!!

Acho que o tanto de café que o Jairo deve ter tomado para ficar acordado trabalhando nas motos serviu de inspiração para o estilo. São duas autênticas Café Racer, feitas em tributo às Hondas CR's da década de 60.

Uma delas é a Honda CG 125cc, foi uma reprodução das melhores partes que compunham as CR's antigas: 
  • O tanque é da CR110;
  • Rodas e cubos de freio da CR77;
  • Pedaleiras das Formula 125;
  • Os detalhe em asa no tanque é da CR750;
  • E o escapamento em inox da CR110;
Uma seleta junção que resultou nesta belíssima harmonização sobre rodas...Café autêntico, puro, forte e feito na medida certa para os nossos paladares!!!












E para quem gosta de café forte, aqui vai segunda moto que tirou o sono do Jairo...Uma Honda 750 Four de 1984, também feita nos mínimos detalhes em tributo as Hondas 750 CR's, e carinhosamente preparada para o evento.










Posso dizer com convicção que as noites em claro do Jairo valeram cada segundo!!! 

Rodei bastante dentro do pavilhão, e quando dei por mim já era noite! O dia passou voando e não tive tempo de ver todos os detalhes como gostaria.

O pavilhão já fora fechado, e enquanto o Songa e o Rodrigo Aragão estavam focados na contagem das motocicletas, boa parte da galera estava entretida com divertidas conversas paralelas em uma roda de amigos, outros já montavam o acampamento.

Eu estava varado de fome quando recebi o convite do Vinícius Caires e sua namorada para comer uma pizza de banana com sorvete em uma pizzaria ao lado do circuito.
Apesar de estranhar o cardápio eles me deixaram curioso e não pude recusar. Mineiro tem dessas de queijo com goiabada, e coisas do tipo...mas no final, não é que o trem era bom mesmo?!

Na fila da pizzaria encontramos com os veteranos do antigomobilismo saindo do estabelecimento, estavam bastante animados e rindo a toa. Achei melhor não comentar, mas um deles (não vou citar nomes para poupa-lo de mais zoações) tinha a metade do rosto barbudo, e a outra metade de barba feita...deve ter perdido alguma aposta (hahaha).

Voltamos para o pavilhão já era mais de meia noite, e boa parte do pessoal ainda estava entretida na animada roda de amigos. 

Dentre eles, encontrei o querido Johnny Walker (aquele simpático senhor que me deu carona em seu Fordinho na corrida de calhambeques em franca), que embalou em uma boa e rica proza sobre os detalhes da minuciosa restauração de sua Harley Davidson Flathead vermelha que havia trazido para a exposição. Também tive uma verdadeira aula de história sobre os motores alemães Sachs usados nos pequenos Messerschmitt, e em uma rara motoneta brasileira conhecida como Saci de 175cc feita em poucas unidades pela Grassi (Antiga fábrica de carroceria de ônibus) em 1958. 

E o mais legal de tudo, é que havia uma Saci na exposição, e estava bem ali do nosso lado...





Logicamente o competidor e aficionado por motonetas Tatu Albertini não iria perder a oportunidade de pousar para uma foto com sua mais nova tatuagem de Saci, montado em uma Saci... claro!



Já era quase duas horas da matina, e até mesmo uma boa conversa não foi o suficiente para deixar o pessoal acordado no pavilhão...




Eu já estava capengando de sono, e resolvi ir para o Hotel tomar um banho e dormir um pouco. As competições do domingo prometiam!

Cheguei no Hotel, descarreguei a memória das câmeras, tomei um banho e me preparei para dormir quando ouvi o barulho de Harleys rodando no circuito.

-"Não é possível que às 2:30hs da manhã alguém ainda tenha ânimo pra andar de moto!!!". Pensei tentando adivinhar quem poderia ser o doido, mas acabei dormindo ao som dos motores, sem sucesso...

Depois fiquei sabendo que o pessoal dos Lobos não se renderam à canseira, e aproveitaram a pista vazia para andar com as motos.

No domingo de manhã pulei cedo para tomar o café do hotel e correr pra pista, pois já podia ouvir os motores acelerando no circuito. E quando sai no hall do hotel, quase dei um "bom dia" para uma equipada senhora motociclista, um tanto quanto inflada, sentada no sofá em frente à recepção. Demorei um pouco para entender a situação...Alguém que veio para o evento não gostava muito da solidão...(rsrs)




Mal cheguei no pavilhão e a Mari Nabor da equipe de comunicação do PNT veio anunciando que as meninas da Categoria Batom já estavam esquentando os motores!!! Mais que depressa peguei as tralhas e desci pra pista.

Destemidas e animadíssimas, as ladies do PNT estavam prontas para mostrar aos marmanjos que o lugar de mulher é atrás do tanque, de suas motos...é claro!!!




E os rapazes fizeram a vez dos Grid Boys, afinal...todo mimo do mundo foi pouco para elas!!!






















Com toda a delicadeza e cuidado feminino, elas montaram motos bastante antigas, dominaram suas maquinas desprovidas de tecnologia, sem freios ABS ou controle de curvas, sem partida elétrica nem amortecedores de direção. Algumas com ciclística rustica e esquema complicado de embreagem e aceleração, motos que faria muito homem de hoje apanhar feio para conseguir sair do lugar.

Um dos exemplos de pilotagem complicada é a Indian Scout 1942 da Katia Zoppello, que possui o cambio em uma alavanca na mão direita e a embreagem no pé. Um sistema comum nas motos da época conhecido como "Câmbio Suicida" (por ter que tirar a mão do guidão para trocar a marcha), bem parecido com o sistema de troca de marchas de um carro.

A Nancy do Prado vestindo um capacete militar, tocou sua Harley Davidson Flathead de 1946 (também com o cambio suicida), com a destreza de um batedor da Polícia do Exército.

Presenciei a Kelly Lanzoni de São Bernardo do Campo - SP partir uma Honda XL (moto que já fez muito marmanjo chorar com o forte coice do retorno do pedal na canela) na primeira pedalada!

A Paulista Rosa Freitag acelerou sem dó sua Yamaha DT250 modelo japonês, fazendo ecoar o inconfundível som do motor 2 tempos pelo circuito todo!

Elas fizeram da categoria Batom um verdadeiro Show de pilotagem, e apesar de estarem competindo, mais se divertiram que disputaram!!!

Enquanto a mulherada duelava na pista, nos bastidores os cavalheiros poupavam energia e se preparavam psicologicamente para ralar as pedaleiras nas curvas do circuito...









































Notei que as motos estavam sendo preparadas para correr e me apressei em encontrar um lugar em alguma delas para fixar a GoPro, e tentar pegar umas imagens legais.

Achei um canto no eixo da roda dianteira da Harley Davidson Panshovel do Creck Rocker da equipe da Lucky Friends, falei com o ele e botei a câmera lá!

A prova da categoria Batom já havia terminado, e enquanto as meninas comemoravam a divertida corrida, os expectadores aguardavam ansiosamente as outras provas.



As categorias eram anunciadas pelo animado locutor Gelea, e as motos de cada categoria eram alinhadas no grid de largada. Apesar da diversão, a tensão e o espírito de competição estampava o rosto dos pilotos.











Aquele era um dos momentos mais esperado do dia, a hora de competir havia chegado! 

As posições já estavam assumidas e os capacetes e luvas ajustados, os motores em plena combustão ressoavam uma verdadeira sinfonia em tom uníssono, escapamentos cuspiam fumaça com cheiro do óleo dois tempos e a expectativa de não ter que empurrar a moto na largada faziam os pilotos suarem frio ao verem o Bira Martins erguer a bandeira quadriculada.

Não dava mais tempo pra nada, era acelerar ou acelerar...Foi dada a largada!!!


































  





  







Cacei os lugares estratégicos para posicionar a câmera nas curvas do circuito. Quando os pilotos reduziam para fazer a curva, eu clicava! O resultado foi bem legal...

E quando eu disse que eles estavam se preparando para "Ralar a Pedaleira" disse no sentido literal mesmo...













As curvas do circuito foram arduamente disputadas em cada categoria, o que resultou em belas fotos de ângulos únicos. Mas nada foi tão emocionante quanto ver o Creck Roker bombeando desesperadamente o freio traseiro da Panshovel nos vídeos da GoPro, que estava filmando do eixo dianteiro da moto. Nas ultimas voltas da categoria Turismo Americano o inesperado aconteceu!!! 

Como a moto dele não tem freio dianteiro, o frequente uso do freio traseiro nas curvas fez o fluído ferver (problema muito comum nas Harleys mais antigas) deixando a Panshovel totalmente sem freio.

Não é para qualquer um dominar uma moto nesta situação, ainda mais com o Hadys e o Amauri da Jurassic Machines praticamente "grudados" no seu cangote. Nas curvas, até mesmo arrastar a sola da botina no chão ele arrastou!!!

Mesmo sem freio algum, o Creck dominou o motorzão e deu um show de experiência no improviso para não perder o desempenho nas curvas, e conquistou o terceiro lugar na categoria Turismo Americano.



Na ultima volta eu corri para tentar uma foto da bandeirada final do Bira Martins. Para minha surpresa, o Amauri vindo na reta final com a Flathead da Jurassic Machines, cumprimentou o Bira com um toque de mão, resultando em uma das minhas fotos favoritas!!!



Acima de qualquer rivalidade para pegar o primeiro lugar no pódio, a diversão, amizade e parceria foi o que prevaleceu a todo momento no evento. Do primeiro ao ultimo colocado, estava estampado o sorriso de quem estava extremamente satisfeito pelo simples fato de "participar". 

E no final do domingo, todos se reuniram dentro do pavilhão para presenciar o consagrado momento da entrega das medalhas aos vencedores, tanto das motos que foram expostas como das categorias em que os merecidos competidores torceram o cabo . 

Cada premiação era comemorada por todos, e o sentimento ali era de que todos haviam ganhado. 

Quem esteve ali por mais que não competiu, foi infinitamente premiado com uma bela porção de amizade, alegria, diversão e muita... mas muuuita paixão pelo motociclismo!!!













  
Hoje, ao sentar para escrever fiquei procurando um adjetivo que se encaixasse no contexto descritivo deste último Pé na Tábua...não há palavras, só boas lembranças de cada momento que acompanhei. E como uma criança que conta as horas para voltar para o playground, o que sinto é uma grande expectativa para o próximo evento, E dizer apenas que este ultimo PNT foi "Muuuuuito Louco", é pouco!!!




Texto: Jamil Eduardo
Fotografia: Jamil Eduardo
Edição: Jamil Eduardo